domingo, 6 de janeiro de 2019

Primeira Leitura de 2019!

Ganhei esse livro de amigo oculto do grupo de discussão que tenho participado da Tag- experiências literárias. Foi sorteado na hora e eu tirei a Larissa Bosco, nossa anfitriã, e ela me tirou. A ideia era comprar um livro que fosse importante pra você, como se fosse um curador. Então escolhi o livro Bordados da Marjane Satrapi, a mesma escritora de Persépolis. Achei que fazia sentido comprar um livro que fosse em quadrinhos, pois esse é um gênero que tenho gostado muito e gostaria muito que outras pessoas pudessem ter acesso. Acabou que é um livro que ainda não li, mas como li e vi o filme Persépolis, achei que deveria ser tão bom quanto e estava na minha lista de desejos. 
Eu ganhei Úrsula de Maria Firmina dos Reis. Na hora que abri o livro não tinha a menor ideia do que se tratava. Soube depois que estava um certo frenesi em torno desse livro por conta do centenário de morte da autora. Larissa me disse que escolheu o livro por se tratar do primeiro livro escrito por uma mulher negra no Brasil. Daí já me interessei!
Qual não foi a minha surpresa que na verdade o livro tinha sido escrito em 1859!!!!! Vocês conseguem imaginar uma mulher negra escrever um livro nessa época?! O processo de fim da escravidão começou 9 anos antes com a Lei Eusébio de Queirós, que proibia a entrada de africanos escravos no Brasil... Somente 21 anos depois, houve uma nova "conquista", que foi a Lei do Ventre Livre e em 1885 a Lei dos Sexagenários, para somente em 1888 ser assinada a Lei Áurea! Todo um processo muito lento e cruel.
Fico imaginando como deve ter sido o lançamento desse livro nesse contexto. Maria Firmina não era escrava, recebeu educação formal e viveu durante um tempo de sua vida com certo conforto, o que favoreceu e muito que pudesse ter escrito o livro. Ainda sim, acredito que tenha sido vista como uma ousadia grande para época.
O livro, apesar de tocar forte nas falas de seus personagens em ideias abolicionistas, não se trata de um tratado sobre isso. Na verdade, nem os personagens principais do romance são negros, o que me deixou um pouco decepcionada. Na verdade se trata de um romance com muitas voltas onde temos muita tragédia para temperar o livro. Sua linguagem é bem difícil e por várias vezes tive que recorrer ao dicionário, pois não são usadas palavras correntes do nosso vocabulário. Ainda sim uma leitura interessante e necessária.
Essa edição vem com dois textos antes do livro em si que eu preferiria ter lido ao final. Sugiro ao leitor, que leia somente depois de ter lido o romance, porque de fato são longos e acabam dando muito spoiler do livro em si. Acho interessante dar uma pesquisada sobre o livro, a autora e o contexto histórico antes, mas não tão profundo como é colocado nesses dois textos.
Além da linguagem da época, a religiosidade é algo marcante no texto, que também tem relação direta com seu contexto histórico. Presente em quase todos os momentos do romance e conduz um pouco as ações de muitos personagens do livro até o seu final.
Bem, como vcs já sabem, esse blog não tem nenhum compromisso em fazer uma crítica literária aprofundada, só tem o interesse de sugerir algumas coisas que venho lendo ou vendo por aí para que vcs possam ter algumas ideias e sugestões.

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