Pra falar de coisas que eu gosto... família, comida, filmes, livros, seriados de TV e outras maluquices... o que vier na cabeça! Afinal, lê quem quiser!
quarta-feira, 21 de agosto de 2019
quarta-feira, 14 de agosto de 2019
A Escolha da Psiquiatria
Ontem foi dia do psiquiatra e me fez pensar em algumas coisas. A escolha profissional é algo que normalmente angustia muito. Ter que decidir o que se quer fazer pra vida toda numa idade tão tenra, é algo que beira a perversidade. Muitos dos meus pacientes ficam extremamente indecisos porque acham que não podem errar, que é uma escolha pra vida inteira. Que se eles se equivocam nesse momento, vão ter perdido um tempo que eles não tem como recuperar. E na verdade não é nada disso. Na verdade isso é só um das "verdades" que o nosso sistema econômico imprimi na nossa cabeça. "Tempo é dinheiro". Então se isso é verdade, se eu perco tempo indeciso na profissão que quero fazer, estou perdendo dinheiro e a oportunidade de ser bem sucedido. Tento trazer leveza pra esses adolescentes e mostrar que é muito melhor "perder" esse tempo agora, do que ficar muito infeliz com a sua escolha no futuro! E que não é proibido trocar de profissão no futuro, não é nenhum pecado! Nós mudamos durante a vida e as nossa percepções também podem mudar. E com isso o que queremos fazer de trabalho.
A minha escolha pessoal de profissão também não foi muito fácil. Sempre fui ligada a área de humanas e artes. Fazia teatro e já tinha recebido algumas indicações de que poderia seguir a carreira. Sempre fui uma pessoa muito comunicativa e extrovertida e adorava ser porta voz dos "fracos e oprimidos", e com isso muita gente achava que tinha que fazer jornalismo. Fiz até alguns testes vocacionais que davam exatamente essa tendência. Mas eu me apaixonei pela loucura, queria entender melhor o sentimento das pessoas e o sofrimento interno delas. Me apaixonei por Freud e pelo que ele dizia sobre as pessoas (claro que o pouco que conseguia ter acesso e entender com 17 anos, normalmente dito por outras pessoas e não lido na fonte). Cheguei a nesse momento de escolha e angústia a ficar deprimida e iniciar meu percurso na terapia. O que me aproximou ainda mais do tema que tinha guardado lá no fundo como um interesse. Passando por todo esse momento difícil, percebi que realmente aquilo me interessava mais que as outras coisas e me imaginava podendo ajudar as pessoas exatamente como tinha sido ajudada. Ficou somente a dúvida se fazia psicologia ou psiquiatria. Mas a escolha pela Saúde Mental estava feita. Ia trabalhar com a clínica, queria trabalhar com pacientes que pouca gente queria ouvir. Nesse mesmo momento fui tomando conhecimento do movimento de Reforma Psiquiátrica e fui me apaixonando cada vez mais e tendo a certeza de que queria fazer aquilo. Inclusive tendo certeza de que como médica psiquiatra eu ia ter maior poder de ação no sentido do mercado de trabalho e de inserção na reforma, por conta do impacto da fala do médico na nossa sociedade. Queria usar esse poder dado ao médico a favor dos pacientes.
Entrei na faculdade de Medicina decidida pela Psiquiatria e confesso a você que não foi um percurso nada fácil. Principalmente para uma pessoa que não gosta de ver sangue e nem de fazer nenhum tipo de procedimento! Foi tenso! Mas eu sobrevivi! E quando penso se faria tudo de novo, eu não tenho dúvidas de que escolhi a profissão certa e de que estou no lugar onde deveria estar! Isso não quer dizer que não me imagine fazendo várias outras coisas, porque a gente não se resume a uma só escolha. Mas estou em paz com a que fiz e feliz com os frutos que pude colher e ainda posso pelo caminho. E com meus outros interesses, a gente vai enfiando no tempo de dá e seguindo a vida!
quarta-feira, 7 de agosto de 2019
Conhecendo a Economia Solidária
Por causa do meu trabalho no CAPS Casa do Largo tive a oportunidade de conhecer a Economia Solidária. No CAPS nós temos oficinas que geram produtos artesanais e sempre ficava me perguntando como escoar a produção feita pelos usuários. Foi então que através do Centro de Convivência e Cultura de Niterói que conheci a Casa Azul. Fiz um primeiro contato junto com a Oficineira Lucídia do CAPS e voilá! Me apaixonei pelo projeto! Ontem tive a oportunidade de pela primeira vez ir a Assembléia do Fórum de Economia Solidária do Município de Niterói e fiquei encantada com esse espaço tão potente e tão inclusivo! Mas vamos por partes... Vou tentar explicar com o que ouvi segunda e o que pude pesquisar na internet sobre o tema pra poder compartilhar essa descoberta.
Economia solidária é definida como o "conjunto de atividades econômicas – de produção, distribuição, consumo, poupança e crédito – organizadas sob a forma de autogestão." Compreende uma variedade de práticas econômicas e sociais organizadas sob a forma de cooperativas, associações, clubes de troca, empresas autogestionárias, redes de cooperação, entre outras, que realizam atividades de produção de bens, prestação de serviços, finanças solidárias (aqui tem banco comunitário!), trocas, comércio justo e consumo solidário.Trata-se de uma forma de organização da produção, consumo e distribuição de riqueza centrada na valorização do ser humano e não do capital, caracterizada pela igualdade. Achei isso revolucionário!!! Daí pensei, tenho que ajudar a divulgar essa ideia! Porque ela é incrível!Isso que escrevi é só uma palhinha do que acontece no dia a dia desse trabalho inspirador!
Pesquisei um pouco sobre a origem desse movimento e encontrei as seguintes informações no Wikipédia: "Pode-se dizer que a economia solidária se origina na Primeira Revolução Industrial, como reação dos artesãos expulsos dos mercados pelo advento da máquina a vapor. Na passagem do século XVIII ao século XIX, surgem na Grã-Bretanha as primeiras trade unions (sindicatos) [5] [6]e as primeiras cooperativas. Com a fundacão da cooperativa de consumo dos Pioneiros de Rochdale(1844), o cooperativismo de consumo se consolida em grandes empreendimentos[7] e se espalha - primeiro pela Europa e depois pelos demais continentes."Lá em muito mais informações sobre isso. Uma ideia realmente incrível e um lugar de respiro nesse momento tão difícil que estamos vivendo!
Espero ter despertado a curiosidade em vocês para conhecer esse trabalho! Em Niterói, temos a Casa Azul que dá apoio a essa iniciativa e acontece um Circuito Arariboia que circula pela cidade. Nesse circuito, atualmente, são ocupados vários espaços na cidade, como o Campo de São Bento, a Praça Dom Navarro, Terminal Rodoviário e Itaipu, sendo esse o espaço mais antigo onde a economia solidária acontece na cidade. A próxima feira do circuito será no dia 10 de Agosto no Campo de São Bento! Não deixem de visitar e apoiar esse movimento tão rico!
Vou deixar alguns links interessantes aqui para quem quiser saber mais.
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